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O melhor lugar para ver o relógio astronômico em ação

23 July 2010 in Curiosidades, Lugares e Passeios, Mapa da Mina, Utilidade pública e tcheca

Com minha dica este é (quase) o resultado que você vai ter.

Com minha dica este é (quase) o resultado que você vai ter.

Todo dia é a mesma coisa -  a cada hora cheia entre 9 da manhã e 9 da noite, uma multidão de acotovela em frente ao relógio astronômico de Praga para ver o 20 segundos de show que ele proporciona.

Para quem chega em cima da hora, pode ser frustrante ficar em um lugar ruim. E para quem chega cedo, pode ser frustrante ficar com um cabeção de última hora bem na sua frente.

A cafeteria Old Town Bistro e seus sorvetes supimpas.

A cafeteria Old Town Bistro e seus sorvetes supimpas.

Minha dica é simples – largue a multidão ensandecida na calçada e pegue uma cadeira cativa no melhor lugar disponível. E ele é o café que fica bem em frente ao relógio e que se chama Old Town Bistro.

Quem não ler o post  vai ver o relógio assim.

Quem não ler o post vai ver o relógio assim.

Incautos e desavisados vão me achar louco, já que entre a porta do café e o relógio há, além da nuvem de turistas, um monte de ombrellones… com mais turistas!

 Mas o negócio não é a porta… é  janela!

 Pouca gente sabe que este café tem uma sobreloja. Poucos vêem a escada de acesso, no fundo da loja, meio escondido pelos balcões. E assim, pouca gente se aventura a descobrir as seis ou sete mesas que ficam BEM em frente ao relógio astronômico, sem NENHUM obstáculo na linha de visão e, para coroar, num ângulo mais reto, melhor que o da rua.

 Claro que para sentar se espera que você consuma, mas um café ou uma cerveja são suficientes. Chegue dez minutos antes da hora cheia, peça sua bebida, sente, descanse o pé e espere. Enquanto o show não começa, divirta-se com os turistas lá em baixo, se acotovelando…

 Quem mandou não lerem meu post!

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Meninos, cuidado! Vocês estão sendo observados.

19 July 2010 in Compras, Curiosidades, Lugares e Passeios, Utilidade pública e tcheca

Quem comprovar o efeito diurético da cerveja tcheca, invariavelmente precisará de um toalete. Dependendo da quantidade de pivos, mesmo um número 1 pode tomar alguns minutos. O que pode ser um problema para os meninos que, depois cinco segundos na frente de um mictório já ficam sem ter para onde olhar – para trás não dá, para os lados, jamais!

Pequeno, médio ou grande? Eis a questão...

Pequeno, médio ou grande? Eis a questão...

Bom, o Shopping Palladium, na Praça de República, em Praga, achou uma solução divertida. Imprimiu e instalou, na frente de cada mictório, a imagem de mulheres em tamanho natural, “olhando” para os dito-cujos em plena ação.

E cada admiradora tem uma expressão própria – umas mais lisonjeiras que as outras. A pergunta que vocês podem estar fazendo é: será que as pessoas escolhem o mictório em função da imagem? Bom, eu não escolhi, mas me diverti. E isso, para um banheiro público, não é pouca coisa…

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Mais Olomouc e tergiversações acerca do velho e do novo

21 June 2010 in Curiosidades, Lugares e Passeios, Perguntas & Respostas

Fala sério… tergiversação!? Este post já começa com tudo…

Bom, quero comentar a respeito de uma atração da praça central de Olomouc. Tem várias lá, como a Coluna da Santíssima Trindade (uma das inúmeras colunas da peste na República Tcheca, mas essa é a maior e mais bonita). Ou as fontes – três ao todo, todas com esculturas barrocas. Mas o meu monumento do dia é a Relógio Astronômico de Olomouc.

O relógio de Olomouc e sua carona socialista.

O relógio de Olomouc e sua carona socialista.

Como vocês sabem – já fiz post sobre isso – Praga tem um famoso Relógio Astronômico. É o primeiro do país, o mais famoso e mais popular. O de Olomouc é o segundo. Ou era. Porque, ao contrário do de Praga, o de Olomouc não se conservou. Ou, melhor dizendo, não se restaurou, porque tudo que antigo, deteriora. E quem respeita a história conserva, e restaura.

Bom, infelizmente em Olomouc a história foi cruel. O relógio astronômico original, com suas figuras barrocas, foi destruído e substituído, na época do regime socialista. E, como era hábito entre os socialistas, construiu-se algo…socialista. Então, os anjos barrocos e figuras de santos foram substituídos por camponeses e trabalhadores proletários. Saiu os apóstolos, entrou o padeiro, o ferreiro, o lavrador.

O cientista, um dos personagens clássicos do socialismo

O cientista, um dos personagens clássicos do socialismo

A estética também mudou. Sai as curvas e rebuscados típicos do barroco, entram as linhas retas e mosaicos típicos da estética funcionalista dos anos 50.

Então, de verdade, Olomouc tem um relógio astronômico há séculos, mas sua forma atual tem pouco mais de 50 anos.

A questão é: vale a pena a visita?

A resposta é. Vale. Especialmente nas horas cheias, quando o relógio faz seu pequeno show, com todos os pequenos personagens do passado socialista desfilam ao som de uma música. Melhor que o de Praga, este relógio tem um show de uns cinco minutos de duração (o de Praga dura 20 seg).

E aqui começa a tergiversação. Os comunistas fizeram bem em destruir o antigo relógio barroco para construir o novo, funcionalista? Resposta – não.

E agora que o socialismo acabou, deviam os tchecos reverter o dano, destruindo este relógio e reconstruindo o antigo?

Aqui, não tem resposta fácil. Uns vão dizer que sim, já que era um monumento de inestimável valor histórico. Mas, história por história, o socialismo também deixou uma, não? É justo destruir um pedaço da história em prol de outro? Ou o certo é engolir o que passou e deixar como exemplo para que não se repita um regime autoritário?

Tudo isso, meus caros, são tergiversações. Continuam em um próximo post.

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Carrões clássicos em Olomouc

24 May 2010 in Curiosidades, Lugares e Passeios

Dica específica, para público específico e em uma cidade específica.

A dica, um novo museu, recém aberto, na República Tcheca.

O público, os fãs de carros antigos, em especial carros europeus comunistas.

A cidade – Olomouc, na República Tcheca, é claro. 

Tatra T87, uma das estrelas do Museu

Tatra T87, uma das estrelas do Museu

Foi nesta cidade da Moravia que abriu, no último 15 de maio, o Museu dos Veteranos, como é chamada esta nova atração. Para nós o nome pode parecer estranho – eu, por exemplo, achei que era museu de veteranos de guerra e fiquei surpreso em ver os carrões em lugar de capacetes e granadas… Mas no final achei mais legal.

E é mais legal porque são uns carrões que você, definitivamente, não vai ver por aqui. Nem perto daqui. A maioria dos mais de 100 carros são da marca tcheca Tatra (conhece?) e vão do período de 1925 até o anos 60 e 70. Além dos Tatra tem também alguns Skoda, outra marca tcheca.

 

É um fusca? Não, é o Tatra que encantou Hitler...

É um fusca? Não, é o Tatra que encantou Hitler...

O que eu achei incrível é que os carros tinham um design invocado, especialmente no pré-guerra. Inclusive um projetista da Tatra é o pai do fusca- ele fez um modelo de linhas arredondadas que, ao que consta, agradou a Hitler, que o chamou para desenhar na Volkswagen.

Outra constatação interessante é como o interior mudou na época comunista. Os carros passaram a ser, digamos, despojados no seu interior e devia ser cruel fazer um passeio de fim de semana naqueles bancos…

Mas enquanto o luxo era permitido, os Tatra não deixaram nada a desejar aos seus contemporâneos americanos. E, tecnologicamente, já traziam inovações como pisca-pisca em modelos muito antigos.

Para quem se interessa em saber, hoje a Tatra se dedica a veículos pesados, e a linha de passeio ficou na história. Mas pelo menos a história está lá, para ser vista, em Olomouc.

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Telc, a incrível cidade dos três lagos

14 April 2010 in Curiosidades, Lugares e Passeios

As casas da praça de Telc - onde a vida acontece.

As casas da praça de Telc - onde a vida acontece.

Algumas cidades no mundo tem a sorte de estar a beira de um lindo lago. Poucas tem ainda mais sorte, e estão entre dois lagos. Agora, o que dizer de uma cidade cercada por TRÊS lagos? 

Esta é Telc (lê-se Telch, porque o C tem o circunflexo invertido, que eu não consigo colocar nesse blog). E, além da raridade dos três lagos, tem também a raridade de ser um nome fácil de falar. Definitivamente um lugar especial.

Mas  fica melhor. O centro da cidade – justamente a parte protegida pelos lagos – é um conjunto de casas barrocas preservadas, com calçamento de pedras e fontes no meio da praça. Uma gracinha. Esta praça, em forma de V, tem uma torre em cada extremo (parte das igrejas) e as casas preservadas, como de costume, são usadas na vida real – lojas, museus, prefeitura, cafés…

Telc não é grande, evidentemente. Meio dia, no máximo, e está visto. Mas definitivamente vale a visita, especialmente se você está na parte sul, indo ou vindo da Áustria. Se você for entre primavera e outono, vai ver os lagos no seu esplendor azul. Eu, que fui no inverno, tive um pouco de dificuldade neste sentido – eles estavam congelados e uma nevasca na manhã daquele dia não deixava saber aonde era terra, e aonde era água.

Telc e um de seus lagos (ali, embaixo da neve)

Telc e um de seus lagos (ali, embaixo da neve)

Bom, vou ter que voltar, né?

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A incrível loja de quebra-cabeças em Brno

3 March 2010 in Compras, Curiosidades, Utilidade pública e tcheca

Não sei se comentei, mas sou louco por quebra-cabeças. Não, não devo ter comentado porque na verdade não importa. Ou não importava, até um certo dia, em Brno…

Estava fazendo um city tour, com um guia simpaticíssimo, porém quase xenófobo de tão admirador da cidade. Muito justo, vá lá, já que na República Tcheca 96% do assunto é Praga. Ele estava no seu dia de glória.

Eis que chegamos na Namesty Svobody, uma grande praça em forma de triângulo bem no coração comercial de Brno. Já eram 17h30, a noite vinha caindo. Alguns de nosso grupo precisavam trocar dinheiro, já que vínhamos de passeios ininterruptos o dia todo. O guia xenófobo, então, resolve dar 20 minutos para fazermos o câmbio antes de prosseguir.

Eu, porém, tinha coroas à disposição (isso tem um duplo sentido horrível, não?). Resolvi aproveitar os 20 minutos para olhar as lojinhas – afinal, sou brasileiro.

Primeiro fui na onda da mulherda e entrei numa loja de sapatos. Mas, salvo exceções muito específicas, ainda é mais negócio comprar sapatos no Brasil. Descolei da turma e fui olhar as vitrines.

Nisso, eu a vi. Uma lojinha de brinquedos e pegadinhas, bastante despretensiosa. Era pouco mais que uma porta , ladeada por uma vitrine rescindindo a socialismo. Produtos em exposição todos bagunçados, parecia ser uma biboca. Mas um cartaz, em inglês, chamou minha atenção.

“Mais de 2000 modelos de quebra-cabeças” – dizia a plaquinha mal escrita.

Peraí.. DOIS MIL quebra cabeças? Diferentes? Nem na maior loja de brinquedos do mundo eu vi tanto (para registro, é a FAO Schwartz, de Nova York). E naquela biboquinha? Em Brno?

Entrei na loja e, a princípio, nada. Só brinquedos bagunçados, dos tradicionais de madeira aos de plástico licenciados, do Barney e da Barbie, mesclados com máscaras de látex (o carnaval estava perto) e até uma ou outra pegadinha obscena.

Já me preparava para reencontrar o grupo quando vi a escadinha num canto da loja e a placa: “Quebra-cabeças” e a seta apontando o andar de cima. A escada, por si só, era um prenúncio, já que nos degraus se empilhavam caixas de quebra-cabeças. Todos diferentes.

Mas o andar de cima… esse sim, o sonho. Absolutamente TODAS as paredes, e todas as prateleiras, de alto a baixo, estavam repletas de quebra-cabeças. Todos os tamanhos. Todos os modelos. Todos os fabricantes. Eu nunca sonhei com uma sala de quebra-cabeças mas, se sonhasse, seria menos do quem aquela. Não contei, mas não era exagero imaginar dois mil modelos naquela sala.

Entrei em êxtase. Seguido de comoção. Depois arrependimento (de estar sem minha máquina  fotográfica). E logo em seguida desespero.

Desespero porque faltavam menos de cinco minutos para reencontrar o grupo – que eu não podia perder, porque estava no meio do não sei aonde. Desespero porque eu tinha dinheiro no bolso, um universo de escolhas, mas não tinha tempo para desfrutar e escolher. Tentei, desesperadamente, decidir por um modelo, o melhor modelo, mas como escolher um entre dois mil em menos de três minutos?

Surtei. Colapsei. Travei. Sai da loja sem conseguir me decidir, e sem comprar nenhum modelo. Ainda olhei o horário de funcionamento da loja, só para me certificar que ela estaria fechada ao final do city tour.

No dia seguinte, saímos cedinho para Olomouc, não deu tempo de voltar lá. Mas o que mais me dói é que, na emoção de encontrar a maior loja de quebra-cabeças do mundo, esqueci de guardar seu nome….

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Suba ao sétimo céu com no Cloud 9

22 February 2010 in Baladas, Gastronomia, Lugares e Passeios, Restaurantes

Por do sol em Praga e o Cloud 9 abre as portas.

Por do sol em Praga e o Cloud 9 abre as portas.

Quer um lugar hype em Praga? Daqueles que estão novos e caindo no gosto do povo? Lugar que junta gente bonita, birita da boa e música da moda? Então anota aí – Cloud 9. O bar que fica no último andar do hotel Hilton Prague.

Primeiro, duas desmistificações: o Cloud 9 não é um manjado “bar de hotel” e segundo, nem precisa se hospedar no hotel para freqüentar o bar. Na verdade, o bar tem um elevador exclusivo, que vai do lobby ao topo sem precisar se misturar com turistas cheios de malas.

Coisas legais do Cloud 9.:

  • Foi construído um andar inteiro para abrigá-lo. E acredite, não é fácil fazer MAIS um andar, em um edifício pronto. Tiveram que deslocar todo o telhado, o maquinário de ar condicionado (que sempre fica nos tetos), criar um fosso de elevador novo, e tudo isso com o hotel funcionando… Eles queriam muito mesmo este bar.
  • O bar conta com o ÚNICO barman de Praga  formado na Universidade da Absolut, em Aahrus, na Dinamarca. Acredite, isso faz uma enorme diferença. De quebra, o camarada é criativo e fez umas receitas exclusivas, que você só encontra por lá. Na minha chegada fui recebido por um Blue Rocket, uma flute com uma bebida azul mar do caribe, muito leve e saborosa… Devia ter Curaçao Blue, mas não senti gosto desta bebida. Queria saber como fazem, mas  a receita é secreta.
  • O Cloud 9 é modinha na cidade, e o pessoal de Praga vai lá, a partir da Happy Hour, bebericar suas bebidinhas e ouvir boa música. Não tem uma pista de dança, mas não impede os mais animados de requebrar o esqueleto. DJ ao vivo anima a galera;
  • A decoração é show de bola. Moderno de bom gosto, com uns tecidos estampados em algumas paredes, umas cadeiras de espaldar alto em cores ousadas e, o mais importante, grandes janelões de vidro dando vista para o rio Moldava, o castelo, a cidade…  Um climão muito legal.

 

A decoração descolada é parte do programa.

A decoração descolada é parte do programa.

Aliás, como o fervo é à noite (e só a noite, das 6 às 2h), repare no corredor de entrada, com luzes multicoloridas sucessivas, dando uma impressão de movimento. E, do lado, mais janelões, as grandes estrelas da Nuvem 9.

Para acabar, minha dica de drinque –  nascido e criado na casa. É o Carisma, uma coquetel que mistura vodka, angostura, suco de cranberry e mais um ingrediente secreto. Servido com uma pimenta dedo de moça e um morango na borda da taça. Parece estranho? Não, é uma delícia! Experimente puro, depois experimente esfregando o morango na borda e depois esfregando a pimenta. São três sabores distintos, um só coquetel. 

 

Carisma: pimenta e morango na mesma taça.

Carisma: pimenta e morango na mesma taça.

Pergunta fatal: é caro? Bom, o Carisma custa 160 coroas – uns R$ 16,00. Nenhum absurdo, não?

O Cloud 9 fica no topo do Hilton Prague, também conhecido como o Hilton Grande (tem outro menor), bem perto da estação Florenc do metrô. Endereço oficial: Pobrezni 1.

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Café Kafka, em Praga. Necessitando urgentemente de uma metamorfose.

3 February 2010 in Curiosidades, Gastronomia, Lugares e Passeios, Restaurantes

Quando o lugar é bom, eu falo. Quando é ruim… eu falo também. Mesmo localizado em Praga, em pleno Josefov (Siroka 12, Praga 1), o Café Kafka não vale uma visita.

O letreiro do caidasso Café Kafka

O letreiro do caidasso Café Kafka

A primeira impressão, do lado de fora, é de um edifício abandonado – e há poucos no centro de Praga. Mas, vá lá, um ou outro… passa. O que não dá é ser um edifício abandonado E um café. Escolhe: um ou outro.

No começo eu até fiquei confuso. Por um segundo achei que podia ser uma ambientação. Sei lá, um prédio fingindo de velho, para dar o ar soturno das obras de Kafka… faria sentido. E talvez o dono até acredite nisso, mas a verdade é que não rola. O prédio é só velho mesmo, e velho sem um charme especial, e as paredes descascadas e a poeira não ajudam em nada.

Sujo e empoeirado - e não é estilo, é relaxo mesmo.

Sujo e empoeirado - e não é estilo, é relaxo mesmo.

O salão da frente é um pouquinho melhor – pouco – e tenta trazer o clima da Praga de Kafka com umas fotos de época. Mas mesmo as fotos estão mal cuidadas, em molduras velhas, combinando com os atendentes do lugar. Nas paredes (descascadas e mofadas) estão alguns excertos de obras de Kafka. Mas a preguiça é tanta que eles repetem a mesma frase nos três ambientes. Será que Kafka não produziu meia dúzia de frases inteligentes? Precisa repetir?

O salão do fundo, onde acabei caindo, é especialmente horrível. As paredes ali estão mais velhas, a pintura mais lascada e os bancos de madeira são um prodígio de desconforto. Estava num ponto em que se aparecesse uma barata seria um lucro – pelo menos seria uma referência honesta à obra de Kafka. Mas não tive a sorte de encontrar a barata – a que ponto cheguei…

Tudo isso, porém, se salvaria se a casa contasse com iguarias estupendas. Um café divino, um doce folhado cheio de creme, sei lá… Mas não, só o arroz com feijão de qualquer outra casa, e ainda assim feito mais ou menos. Para coroar, o preço é caríssimo. Realmente, não consegui encontrar um motivo para recomendar o Café Kafka. Então, não recomendo!

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Mico on Ice – patinando no gelo em Olomouc

27 January 2010 in Curiosidades, Lugares e Passeios, Perguntas & Respostas, Utilidade pública e tcheca

Finalmente conheci Olomouc. Ou, talvez, mais correto seja dizer que Olomouc me conheceu. E não vai se esquecer de mim tão cedo.

Na bela praça central, as casas de fechada barroca e renascentista emolduram a poderosa Coluna da Santíssima Trindade, um patrimônio da UNESCO lindíssimo. Veja a foto, já no por do sol. Mas nem os três integrantes da coluna – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – conseguiram me salvar do mico que paguei bem ao lado deles.

 

A coliuna, coberta de neve, ao final do dia.

A coliuna, coberta de neve, ao final do dia.

É que no inverno, a cidade ganha um rinque de patinação no gelo, bem ao lado da coluna. Uma boa idéia, já que os parques estão proibitivos (a menos que você seja um pingüim), e a cidade tem muitos jovens, – é também um centro universitário.

Então tá. Estava toda aquela moçada toda, 80% loiros, 90% jovens e 99% patinadores, divertindo-se em seu rinque de patinação quando chega este que vos escreve e, imbuído de seu espírito tropical, resolve mostrar a todos o que é um mico.

Observação importante. Não sei patinar. Nunca soube. Nunca estive perto de saber. Nem no gelo, nem em rodas. Nada de nada.

Mas o grupo estava animado, era fim de um dia longo e, afinal, a gente se permite alguns riscos sendo turista. Peguei os patins, calcei e lá fui eu, a mula manca, entrar no gelo. Que, obviamente, escorregava uma barbaridade. Agarrei na borda e fui tentando deslizar. Ridículo. Parecia patinação da terceira idade. Só faltava um andador. E, na verdade, tinha um vovô patinando e ele era bom para burro.

O tombo era inevitável. Eu SABIA que ia cair. Só não esperava que fosse como foi.

Vendo a penúria da minha situação, os instrutores da pista – dois meninos que não deviam ter 18 anos – chegaram, um de cada lado, e disseram: We will help you. Parecia uma boa idéia… mas não.

Cada um dele encaixou em uma axila e me arrastaram para longe da borda. Mas quem disse que eu conseguia me manter equilibrado? Ou os pés iam e o corpo ficava, ou o corpo ia e os pés ficavam. Ambos para o mesmo lado, ao mesmo tempo? Nem pensar!

E a cada solavanco, meu peso (não sou pequeno) tinha que ser suportado pelos meninos (que por sua vez também estavam de patins). A cada escorregão eu parecia uma mamulengo de carnaval de Olinda, ou aquelas bonecas que dançam grudadas no artista.

E como mico é contagioso, os amigos dos instrutores, do lado de fora, rachavam o bico de tanta risada. E os garotos tentando, em vão, me manter de pé. Mas, por um décimo de segundo, eles vacilaram e… Digamos que sou um homem de fé. Acreditei que podia patinar, e acabei ajoelhado no gelo, aos pés da Santíssima Trindade.

Se você for algum dia a Olomouc, e falar que é brasileiro, não estranhe se derem um sorriso irônico ou mesmo uma gargalhada. A culpa é toda minha.

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Eu e o Ursinho Pimpão em Cesky Krumlov

25 January 2010 in Curiosidades, Hotéis, Lugares e Passeios

Depois de umas férias – do blog – estou postando ao vivo e em cores da República Tcheca. Muita coisa acontecendo, inclusive nevascas incomuns, deixando tudo branco por aqui. Campos tchecos lavados com OMO. Essa minha viagem é a trabalho – estou acompanhando um grupo de operadores de turismo. É um trabalho duro, mas alguém tem que fazer, não é?

Não é a primeira que eu faço, então já me toquei de algumas coisas que se repetem. Por exemplo, em Cesky Krumlov, ficamos sempre em hotéis no centro histórico, que são edifícios preservados (o lugar todo está na lista da UNESCO). Assim, os quartos tem que adaptar ao prédio (que é dos anos 1600), e isso faz com que cada quarto seja único – uns maiores, outros menores…

Inevitável que a turma compare seus quartos. Da última vez dei azar e cai em um quarto apertadinho e longe da recepção, chatinho de chegar… Desta vez, em compensação, dei sorte: peguei um quarto no sótão do hotel Zlaty Andel (Anjos Dourados, literalmente). Quartos no sótão costumam ser legais porque, com o teto inclinado, não permitem muito fracionamento. Aí fica um quartão, que foi o meu caso. Veja a foto.

O quarto que parece segunda-feira: compriiiiiido.

O quarto que parece segunda-feira: compriiiiiido.

 Repare lá no fundo uma janelinha (todas as janelas são pequenas, porque pelo jeito, em 1600 ninguém ligava muito para insolação). Eu podia ter dado azar e essa janela estaria virada para um beco, ou parede feiosa. Mas dei sorte, e a janela dava bem para a praça principal de Cesky Krumlov. Tive a pachorra de tirar essa foto às sete da manhã, para que compartilhar com vocês a minha vista.

Sete da manhã... e eu passando frio na janela... por vocês!

Sete da manhã... e eu passando frio na janela... por vocês!

Já estava ótimo, mas fica melhor. O banheiro era igualmente gigantesco (e olha que tem uns banheirinhos cruéis na Europa). Tinha o luxo de duas pias E banheira para dois. Infelizmente estava sozinho, então tive que me contentar em ficar folgadão numa banheirona. Novamente, é um trabalho duro, mas alguém TEM que fazer.

 E, ao final, nem sozinho fiquei. Descobri, num cantinho do quarto, o Ursinho Pimpão. Tirei o nome da canção homônima de Celelê e Relalá “Ursinho Pimpão, tá dormindo no salão…” E foi bem isso. Eu numa cama, o ursinho Pimpão na outra, um quarto que parecia um salão e uma noite inesquecível em Krumlov.

Ei-lo! Ursinho Pimpão, se preparando para dormir.

Ei-lo! Ursinho Pimpão, se preparando para dormir.

Em tempo: não tenho a a menor idéia do que o Pimpão fazia no meu quarto. Mas anotem aí – Hotel Zlaty Andel, (www.hotelzlatyandel.cz) em Cesky Krumlov. Peça o quarto 32 e, se conseguir, dê um abraço no velho Pimpão.

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Eu recomendo

  • 1) CzechTourism.com - Página oficial do turismo tcheco, com informações completas e até banco de imagens.
  • 2) Culinária Tcheca - Site com receitas da gastronomia tcheca e indicação de restaurantes credenciados.
  • 3) Irish Institute - Este é o site do Instituto que promove a Irlanda no Brasil. E, afinal, Irlanda é um país-irmão da República Tcheca, ambos unidos pelo amor à cerveja!
  • 4) Blog da Flávia - Blog de minha querida irmã, que vive na Irlanda e escreve muito bem.
  • 5) Cris Berger - Site da jornalista gaúcha que visitou a República Tcheca e acabou voltando com uma exposição fotográfica na mala.
  • Blog de Bordo do Bruno Agostini O camarada Agostini vai postando notícias conforme viaja. E não viaja pouco, então e pão fresquinho a toda hora!
  • Enoteca por Bruno Agostini Outro blog do incansável Bruno, este voltado para a “vinhologia” e outras coisas boas da vida.
  • Entrelinhas Esportivas by Rogério Domingues Uma mesa redonda de um homem só – mas sempre com fatos e curiosidades do mundo esportivo. Rogério Domingues é comentarista do canal comunitário da NET em Santa bárbara D´Oeste.